A - Novas estratégias e reorganização territorial numa Europa alargada (versão em castelhano)

Joan Nogué (Universidad de Girona) e José Alberto Rio Fernandes (Universidade do Porto)

O recente alargamento da União Europeia a estados procedentes na sua maioria da antiga Europa de Leste, as ampliações em estudo para os próximos anos e o início das negociações formais para uma hipotética integração da Turquia, assim como a previsível aprovação nos próximos meses da primeira Constituição Europeia, são, entre outros, indicadores de uma mudança radical de cenário que coloca grandes e apaixonantes desafios à Europa, muitos deles de carácter intrinsecamente geográfico. Por isso, a Geografia pode e deve contribuir para uma melhor compreensão deste novo cenário (que afectará também os territórios europeus localizados fora do continente), a partir da sua longa e rica tradição cultural, dos seus instrumentos de análise e das suas estratégias de desenvolvimento territorial.
Neste quadro, os temas que se propõem para estruturar este eixo, são os seguintes:
A ideia de Europa
A geografia não pode esquecer o debate sobre a identidade da Europa, favorecido pelo debate da Constituição Europeia e deve trazer ao debate o seu ponto de vista específico. O que é a Europa, na perspectiva geográfica? Quais são os elementos da sua identidade? É possível delimitá-la e justificá-la geográficamente?
A dimensão territorial da Europa ampliada
A nova Europa coloca um problema interno de escalas que torna muito difícil a comparação, por exemplo entre dois países como Malta e Alemanha. Por outro lado, muitos dos novos estados membros têm um número de habitantes, um peso económico e até uma presença mediática sensivelmente inferiores a muitas regiões e nações sem estado. Como resolver os inevitáveis conflitos que este desequilíbrio de escalas vai gerar? Como se reestruturará o objectivo da coesão? Qual pode ser neste novo contexto o papel das cidades, das regiões e das nações sem estado?
Novas estratégias de desenvolvimento territorial
Nos últimos anos surgiram actores, agentes, funções e formas de governo inéditas que deverão adaptar-se a novos cenários. Que estratégias de desenvolvimento territorial haveria que se desenvolver neste contexto? O que podem trazer à política territorial os conceitos de governança, sustentabilidade e equidade?

 B -  Desafios para a Multifuncionalidade da Paisagem
(versão em castelhano)

 Rafael Mata (Universidad Autónoma de Madrid) e Teresa Pinto Correia (Universidade de Évora)

O interesse social e político crescente sobre a paisagem está estreitamente relacionado com o debate sobre a multifuncionalidade do espaço geográfico e com o desenvolvimento sustentável. A Convenção de Florença (Conselho da Europa, 2000), define a paisagem como “uma parte do território tal como é apreendida pela população e cujo carácter resulta da acção de factores naturais  e humanos e das suas inter-relações”. Esta definição expressa ao mesmo tempo a pluralidade de significados da paisagem (a sua materialidade, a sua territorialidade, a sua dimensão cultural e perceptiva), e a multiplicidade de funções que cada paisagem pode desempenhar.

A configuração da paisagem cumpre uma função ecológica fundamental como expressão territorial dos ecossistemas, da organização espacial dos habitats e das suas relações. Esta função ecológica dependeu historicamente, e depende actualmente, do funcionamento económico de cada paisagem, ou seja, das actividades produtivas que, através das suas práticas e técnicas de aproveitamento dos recursos, resultam na organização dos usos do solo. Ao protagonismo das actividades agro-pecuárias e florestais deve acrescentar-se, em áreas cada vez mais extensas, o espaço edificado, desde a cidade compacta até ao tecido peri-urbano, menos denso, e a urbanização turística do litoral e da montanha. O aumento da procura da paisagem como espaço de vida e de recreio num mundo cada vez mais urbanizado,  resulta no reforço do reconhecimento das funções da paisagem relacionadas com o apoio à qualidade de vida e ao bem-estar social, estreitamente ligadas às experiências estéticas, culturais e de identidade que cada paisagem proporciona.
A intensificação das actividades produtivas e a pressão sobre os recursos, própria da sociedade industrial, provocaram a segregação espacial dos usos do solo, a especialização funcional do território e a perca ou deterioração da multifuncionalidade (ecológica, produtiva, cultural) de muitas paisagens, de modo especialmente visível e significativo no espaço rural, nuns casos por abandono e noutros por um processo inverso de intensificação e especialização agrícola.
O conceito de multifuncionalidade, assumido pela política agrícola e florestal da União Europeia, e aplicado à análise, à avaliação e às políticas públicas de paisagem, constitui um caminho adequado para a defesa dos valores paisagísticos e para um uso sustentável do território.
Linhas de trabalho para este tema:
- Conhecimento da diversidade paisagística e as suas multifuncionalidades (ecológicas, económicas e culturais) em Espanha e em Portugal;
- Transformações das actividades produtivas, especialmente nas áreas rurais, e mudanças na paisagem em relação com a sua multiplicidade de funções;
- Valores de paisagem na gestão das áreas peri-urbanas;
- Os valores de paisagem nas iniciativas e políticas de desenvolvimento territorial e  turístico;
- Análise e avaliação das políticas públicas para a conservação, gestão e recuperação das múltiplas funções da paisagem;
- Participação pública nas iniciativas de ordenamento e gestão da paisagem.

 c – As cidades Ibéricas entre o Marketing Urbano e as Estratégias de Bem-estar (versão em castelhano)

Vítor Fernández Salinas (Universidad de Sevilha) e Maria Lucinda Fonseca (Universidade De Lisboa)

Centrando-se na ideia-chave de que as cidades constituem um recurso para o desenvolvimento, este painel pretende atrair comunicações em torno de três temas  fundamentais.
1. A cidade ibérica: realidades e transformações estruturais  impostas, estimuladas ou entorpecidas pelo papel de Espanha e Portugal na nova ordem global
Tópicos para debate:
- Urbanização e formas urbanas; a caminho de uma cidade difusa na Ibéria?Policentrismo, cidades médias e ordenamento do espaço ibérico;
- Os desafios das cidades ibéricas entre o planeamento tradicional e o já quase tradicional planeamento estratégico;
- Os processos de revitalização urbana: notícias novas das margens das aglomerações?
- “Pesca-se” melhor com redes de cidades;
- Os novos motores do crescimento urbano.

2. Natureza e cultura como definidoras da identidade urbana ibérica
Tópicos para debate:
- Relação cidade – espaços naturais e rurais;
- O património cultural urbano;
- Políticas de salvaguarda e valorização dos centros  históricos ibéricos;
- Os espaços públicos urbanos;
- Projectos culturais das cidades ibéricas: una revisão crítica;
- Paisagem e cenário urbanos para a qualidade vida;
- O território dos fluxos: novas formas de mobilidade e novas formas de  habitar a cidade;
- A  natureza e a cultura urbanas como recursos turísticos;
- A imagem da cidade no cinema , literatura, música.....
3 - Cidadãos nas cidades ibéricas?
Tópicos em debate:
- Identidade e cidadania nas cidades ibéricas;
- Identidade urbana em Portugal e Espanha;
- A exclusão urbana; redes sociais intra-urbanas;
- O terceiro sector na cidade;
- Os novos cidadãos: imigração e cidadania na Ibéria;
- Planear a cidade do futuro: cidade da memória, do desejo e do espírito;
- Urbanização e conflito: desafios para o governo da cidade e do território.

D. “A Geografia Física da Península Ibérica - Novos contributos” (versão em castelhano)

Julio Muñoz (Universidad Complutense de Madrid) e Lúcio Cunha (Universidade de Coimbra)

Nos últimos anos tem aumentado a presença dos geógrafos físicos nas universidades, nas unidades de investigação e nos organismos de planeamento e ordenamento do território de Portugal e Espanha. Em consequência, aumentaram e diversificaram-se os contributos para o conhecimento geográfico da Península Ibérica com perspectiva naturalista. Ao mesmo tempo desenvolveram-se novas linhas de investigação, modificaram-se algumas ideias acerca da Geografia Física Peninsular e abriram-se vias inovadoras para aplicação dos conhecimentos geográficos à avaliação e protecção dos espaços naturais e da Geografia Física ao Ordenamento do Território nos dois países.
Atendendo a estes pressupostos, os trabalhos a apresentar ao eixo temático D devem centrar-se:
  a) Na análise, balanço e valorização da produção científica recente dos centros de investigação geográfica em Portugal e Espanha no que diz respeito ao conhecimento da organização morfo-estrutural, da geomorfologia, da bioclimatologia, da hidrologia e das paisagens naturais da Península Ibérica;
  b) Em novas perspectivas de estudo de algum dos componentes do meio ou que se enquadrem em linhas de investigação com ideias críticas acerca dos conceitos tradicionais sobre componentes físicos ou das paisagens da Península Ibérica;
  c) Experiências que abram novas perspectivas à aplicação dos conceitos, métodos e técnicas elaboradas por geógrafos físicos no campo da valorização e planificação dos territórios peninsulares (recursos naturais, riscos naturais e impactes ambientais).
A este eixo temático serão admitidas comunicações que se reportem a qualquer um destes três tópicos.

E - Análise Espacial e Modelação Geográfica
(versão em castelhano)

 Emilio Chuvieco (Universidad de Alcalá de Henares) e José Tenedório (Universidade Nova de Lisboa)

O eixo temático «Análise Espacial e Modelação Geográfica» revela uma evolução e um desafio. Uma evolução de entendimento do papel das Tecnologias de Informação Geográfica – nomeadamente da Detecção Remota e dos Sistemas de Informação Geográfica – em Geografia, deixando supor que aquelas não se reduzem apenas a instrumentos para fazer mapas. Um desafio porque se privilegia a modelação geográfica como uma abordagem possível para produção de conhecimento sobre a dinâmica dos sistemas complexos. Actualmente, a modelação geográfica permite criar condições de globalidade, de integração e de previsibilidade mas a compreensão dos sistemas complexos é o aspecto que mais anima, actualmente, a investigação geográfica europeia que recorre a modelos dinâmicos, vocacionados para realizar a simulação numérica de processos fortemente dependentes do tempo.
Este eixo temático privilegia a apresentação de trabalhos – de investigação ou concebidos para a operacionalização – orientados pelos tópicos seguintes: modelação e simulação de fenómenos e processos espaciais, identificação e análise de estruturas espácio-temporais, análise espacial e representação geográfica, detecção remota e análise geográfica, aplicações Internet.

F - Jovens Geógrafos. Progressos Científicos e Perspectivas Profissionais (versão em castelhano)

Florencio Zoido ( Universidad de Sevilha) e João Sarmento (Universidade do Minho)

Neste eixo temático pretende-se discutir um conjunto de desafios que se colocam à Geografia contemporânea e em particular aos jovens geógrafos, no que diz respeito essencialmente à evolução da ciência geográfica e à emergência e desenvolvimento de determinadas áreas, à sua articulação com o mercado de trabalho e às perspectivas profissionais, posicionando a realidade ibérica em contextos internacionais, nomeadamente numa Europa alargada. Desta forma ambiciona-se debater:

  • As transformações no ensino da Geografia nas últimas décadas;
  • As mudanças na universidade em termos do quotidiano, da interdisciplinaridade e da pressão académica;
  • As respostas do sistema científico e a adequação da formação dos jovens geógrafos ao mercado de trabalho;
  • A avaliação das necessidades formativas e principais ofertas profissionais dos jovens geógrafos;
  • A procura da Geografia e dos geógrafos pela sociedade e pelo mundo do trabalho;
  • Os Sistemas de Informação Geográfica como solução de emprego na geografia;
  • Os desafios que a Europa alargada e as novas configurações territoriais, políticas e de poder colocam aos geógrafos;
  • As contribuições da Geografia para a sociedade, para a economia e para a ciência nas últimas décadas;
  • As influências que a comunidade científica geográfica tem produzido nos mass media e na sociedade;
  • A relação dos geógrafos e da Geografia com os políticos e com a política.